O PSDB precisa de um projeto eleitoral, DCI / Portal Observador Político / Revista Congresso Nacional, 26 de outubro de 2011

José Serra afirma que antecipar o debate “atrapalha e desorganiza a oposição”,em resposta dissimulada à entrevista na qual Aécio Neves afirmou que enfrentaria Lula ou Dilma, tanto faz. O paulista mais uma vez mostra que é muito turrão, cabeça dura, ou que não entendeu nada das sinalizações que vieram nas últimas três eleições presidenciais.

Sem defender, nem atacar este ou aquele, o fato é que o PSDB precisa começar a pensar na próxima eleição, para não mais se apresentar aos eleitores sem a presença de um programa político embasando um projeto eleitoral. Ou vice-versa.

Em 2002, candidato de um governo que trabalhou com seriedade, estabilizou a economia e implementou importantesconquistas sociais, Serra preferiu ir pelo caminho saltitante de uma campanha superproduzida visualmente, onde trabalhadores/atores brandiam carteiras de trabalho como se fossem estandartes de porta-bandeira. Ao invés de Marketing Político (que coloca as discussões políticas em primeiro plano) optou-se pela produção de shows muito bonitos, mas eleitoralmente ineficientes.

Quatro anos depois, a candidatura peessedebista de Alckmin deixou passar em branco os efeitos do mensalão recente, para se fixar no obrismo que o ex-governador ostentava em São Paulo. O mote recorrente era corrupção e moralidade pública, para operarem uma boa administração. E não o simples “fazer” tão caro a governantes tipo Maluf. Deu no que deu, com o candidato tucano batendo recorde difícil de ser superado: no segundo turno conseguiu ter menos votos do que no primeiro.

Serra voltou candidato em 2010 cometendo erros novos, mas não menos importantes como candidato fadado à derrota. Na largada do ano eleitoral declarou enfaticamente que não era “o chefe da oposição”. Perguntei-me no blog quem seria esse comandante, se não o próprio candidato … da oposição? Depois veio a trapalhada da escolha do vice, que para agravar culminou mal escolhido. A campanha ora insinuava ser uma continuidade “inteligente”, ora partia para agressões contra a adversária. Fundamentalmente não estava preparada para neutralizar o apoio de Lula.

Começar a pensar na próxima eleição é obrigação de um partido do porte e da história do PSDB. E é preciso começar logo, para não ocorreram as soluções prejudicadas pelo afogadilho da campanha, nas imediações do momento eleitoral. Há que estimular os neurônios, há que fortalecer os músculos, há que estimular a circulação sanguínea – da mesma forma que os adversários já fazem, dissimuladamente.

Ao contrário de atrapalhar e desorganizar a oposição, um projeto eleitoral sério e consistente trará ânimo e rumo a uma força oposicionista desorientada hoje, com a perspectiva de continuar às cegas amanhã, para chegar tartamudeada em 2014.

 

* Chico Santa Rita é consultor em Marketing Político – www.chicosantarita.com.br

Por | 2017-10-26T21:57:00+00:00 26 outubro, 2011|Artigos|Comentários desativados em O PSDB precisa de um projeto eleitoral, DCI / Portal Observador Político / Revista Congresso Nacional, 26 de outubro de 2011